hotel




REVISTA NáUTICA

18/07/2007 - 16:28
Teste Náutica: Lagoon 440, ainda maior e melhor

Construído nos EUA, mas com sotaque francês, o Lagoon 440 é o primeiro catamarã à vela com flybridge.

Por Marcio Dottori
Da Revista Náutica nº 227

Ainda maior
Fundada em 1984, como uma divisão voltada exclusivamente aos veleiros catamarãs da gigante francesa Bénéteau, a Lagoon representa um marco na história dos barcos multicascos no mundo. Trata-se, portanto, de uma marca de muito respeito. E uma das características de seus barcos são os janelões verticais que rodeiam os casarios. Podem não ser tão harmoniosos quanto as janelas inclinadas da grande maioria dos demais veleiros, mas, sem dúvida, trazem um benefício prático enorme, porque os barcos ficam muito mais iluminados por dentro. E isso só acentua outra característica do catamarãs da marca: o impressionante espaço interno, que, no novo modelo 440, é ainda mais fabuloso, por conta de uma novidade inédita em barcos deste tipo, o flybridge – também presente na sua versão de 50 pés e algo, até então, restrito apenas as lanchas e catamarãs a motor. Com um flybridge, o timoneiro ganha visibilidade total e um posto privilegiado de pilotagem, lá em cima. Já os demais tripulantes, além do espaço extra, no alto, lucram com uma popa totalmente desempedida de cabos e timões. Ou seja, todo mundo sai ganhando.

Como ele é
De fibra maciça abaixo da linha d’água e fibra com recheio de madeira balsa no costado, convés e flybridge, o Lagoon 440 pode ser encomendado com três ou quatro suítes a bordo, todas, porém, com camas de casal. A versão testada por Náutica, nas águas de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, tinha três suítes: duas, bem espaçosas, em um dos cascos; e outra, simplesmente enorme, no outro. Com esta divisão interna, o salão ganhou uma mesa para seis pessoas, com cadeiras estofadas, e posto de comando interno, com joystick, para acionar o leme. A cozinha fica dentro do próprio salão. Na popa, há um cockpit com sofá para até oito pessoas e, na proa, outro cockpit, com sofá para mais quatro – além de um camarote para um marinheiro e um grande paiol. Entre os dois cascos, uma grande rede-solário. Já, no inédito flybridge, havia o timão e poltronas para mais quatro pessoas. Como se vê, lugar para descansar é o que não falta a bordo deste grande barco.

Leia o teste com fotos na Náutica 227, já nas bancas

Como veleja
As condições de tempo e mar no dia do teste estavam ótimas e barco não deixou por menos. Começou impressionando por sua agilidade. O Lagoon 440 estava atracado em uma vaga muito apertada. Mas, usando os dois motores alternadamente, saiu com extrema facilidade do píer. Esta, aliás, é outra qualidade dos catamarãs: eles manobram com muita facilidade, graças ao grande espaçamento entre seus motores. Depois, saímos para velejar. Os 71 m2 da vela grande, armada num mastro de 19 metros de altura e com retranca de 6,5 metros de comprimento, dão um certo trabalho. A tarefa, porém, é facilitada pelas catracas elétricas (que são equipamento de série), com redução de 46:1, que também servem para manusear os rizos da vela. Depois de desenrolar a genoa, pusemos o barco de través com o vento. A velocidade foi subindo até chegar nos 8,7 nós. Aos poucos, fomos orçando, até manter o barco a 45 graus com o vento. Nessa condição, crítica para qualquer catamarã, a velocidade ficou em 8 nós! Se o desempenho no vento de través ficou dentro do esperado, mas a velocidade no contravento surpreendeu positivamente. Com ventos mais folgados (através e pela alheta), ele mostra ainda mais potencial. Pena que não tínhamos um balão a bordo. O único senão na velejada foi o manuseio do timão: um pouco pesado para controlar os dois lemes.

Com quem concorre
No Brasil, o Lagoon 440, que é importado, concorre apenas com o Dolphin 460, um catamarã nacional bem construído e também vendido no exterior – mas que, obviamente, não tem flybridge. É uma grande diferença, porque, além de permitir um novo jeito de velejar, o fly oferece ao timoneiro uma visão geral, tanto para a frente quanto para os lados, além de liberar a área de popa apenas para o lazer dos demais tripulantes. Quem entra num barco assim, dificilmente quer saber de outro catamarã convencional.

Dica de quem testou
“A tentação de ter quatro suítes num barco de 44 pés é grande, mas, a menos que haja a intenção de transformá-lo em barco para charters, fique com a versão de três. Seu conforto merece um camarote enorme”.

Quem faz?
A Lagoon pertence ao grupo francês Bénéteau, maior fabricante de veleiros oceânicos do mundo, e que tem mais de 120 anos de existência. Da linha Lagoon, fazem parte um catamarã a motor, de 44 pés, e seis a vela, entre 38 e 67 pés. Mas, desses, apenas o 440 e o 500 possuem flybridge. Já os únicos barcos da linha que não têm casario com janelas verticais são os maiores, como o 570 e o 67. Sua importação para o Brasil é feita exclusivamente pela Sailing (www.sailing.com.br), tel. 21/3154-9990.

Onde e como testamos
O Laggon 440 foi testamos em Fort Lauderdale, nos EUA, num dia de mar calmo, com ondas de meio metro e vento de cerca de 16 nós. A bordo havia cinco adultos

Resumo

Desempenho
Apesar de não transmitir a mesma emoção de um monocasco (como todo catamarã, não aderna, por exemplo), é um barco relativamente rápido: com vento de 15 a 16 nós, pelo través, chegou a 8,7 nós. No contravento, velejando a 45 graus, atingiu 8 nós. A motor, sua velocidade de cruzeiro, com dois de 54 hp cada, foi de 9,6 nós.

Banheiro
São três. O de boreste, que serve a suíte do proprietário, é imenso e tem boxe fechado. Todos têm ventilação natural e pé-direito mínimo de dois metros. Sistema de água pressurizada quente e fria e vaso sanitário elétrico são equipamentos de série.

Cabine
O salão central é enorme e tem visão panorâmica de 360 graus, graças aos tais janelões verticais. É um dos pontos alto do barco e inclui um posto de comando interno. Sua altura também passa dos dois metros e, como tem muitos vidros, é à prova de claustrofobia.

Cockpit
Com o comando lá em cima, no flybridge, o espaço no cockpit é impressionante. Para melhorar, tem capota rígida de fibra, com pé-direito alto. No frio, pode até ser totalmente fechado.

Cozinha
Fica NO salão, é bem grande e bem equipada, com duas pias de inox, fogão de três bocas com forno e uma bancada generosa. As janelas, junto à ela, abrem-se para aumentar a ventilação e, também, facilitar a passagem de objetos para o cockpit da popa.

Ferragens
O ponto alto é o dispositivo da âncora, que tem uma guia para conduzir a corrente do guincho (que fica a meia-nau) até o lançador, na proa. Inovador (na maioria dos catamarãs, a âncora não fica na proa!), esse arranjo permite ancoragens mais seguras.

Hidráulica
Tem três tanques de água doce, para um total de 900 litros. Sua manutenção é facilitada pela localização deles: atrás do banco do cockpit, na proa. Mangueiras e válvulas são específicas para uso marítimo.

Lemes
São dois, com repostas rápidas, embora o manuseio do timão seja um pouco duro, devido ao acionamento mecânico. Para tornar o manuseio do timão mais macio, o sistema do leme poderia ser hidráulico, mas este recurso prejudicaria a sensibilidade do piloto com os lemes.

Motores
São dois. Na versão testada, eram da marca Yanmar, com 54 hp cada – e formavam um bom conjunto com o casco. Sua velocidade de cruzeiro beirou os 10 nós. O acesso aos motores também é dos melhores: para uma inspeção rápida, basta levantar um dos lados da tampa, que é bipartida.

Mastreação
Na versão padrão, o mastro tem 19 metros de altura e a genoa de enrolar é fracionada (quer dizer, não vai até o topo do mastro), o que facilita o manuseio. O mastro tem trilho para fixação da vela mestra e sistema de recolhimento tipo lazy Jack, o que facilita o manuseio da vela principal.

Paióis
Apesar de ter muito espaço, todos os espaços ocos a bordo são aproveitados. Sob o sofá do cockpit de popa ficam o gerador (que, por sinal, é bem silencioso) e dois botijões de gás. Defensas e tralhas diversas podem ser guardadas nos paióis do cockpit de proa.

Posição de pilotagem
A visibilidade para o timoneiro no flybridge é excelente, com visão de 360 graus, sem nenhum obstáculo. Mas o pegador existente acima do encosto do condutor pode machucar as costas. Em dias de chuva, ou muito frio, o posto de pilotagem superior pode ser fechado com uma capota dog house.

Pontos altos
A posição de pilotagem no flybridge
O espaço e luminosidade do salão
O tamanho do camarote principal

Pontos baixos
O manuseio do leme é um pouco duro
Falta antiderrapante no convés do casario
Má posição dos instrumentos do motor no fly


Ele é assim
Comprimento 13,61 m
Comprimento na linha d’água 12,75 m
Boca 7,70 m
Calado 1,30 m
Pé-direito nos camarotes (mínimo) 1,99 m
Pé-direito nos banheiros (mínimo) 2,00 m
Pé-direito no salão 2,08 m
Combustível 750 L
Água 900 L
Deslocamento 10 500 kg
Área vélica (mestra e genoa *) 115 m2
Capacidade (dia/noite) 18/6
Projeto Lagoon
Dados fornecidos pelo fabricante, exceto as bordas-livres.


Principais equipamentos
Vela mestra com talas longas (full batten), genoa de enrolar, sistema de recolhimento da vela mestra (lazy-jack), catraca elétrica 42, três catracas 53, catraca 32, guincho elétrico para âncora de 1 700 W, aquecedor de água (boiler) de 60 l, duas baterias de 110 Ah cada (motores), três baterias de 140 Ah cada (serviço), 16 gaiútas, fogão a gás de 3 bocas, geladeira de 130 litros, freezer de 100 litros, tanque de esgoto, dois motores diesel de centro-rabeta de 40 hp cada.

Principais opcionais
Dois motores diesel de centro-rabeta de 54 hp cada, gerador, sistema de ar condicionado, eletrônicos para navegação, bote de apoio com motor, material de salvatagem.

O barco pode ser encomendado com três ou quatro suítes a bordo, todas, porém, com camas de casal

Veja o teste com fotos na edição da Revista Náutica nº 227, que já está nas bancas.




REALIZAÇÃO:




PATROCÍNIO:




APOIO:




CIA. AÉREA OFICIAL:




OPERADORA OFICIAL:





Grupo Um Editora - Todos os direitos reservados. Av. Brigadeiro Faria Lima, 3064, 10º andar - São Paulo - SP
CEP 01451-000 - Tel.: (11) 2186-1001
Boat Show - E-mail: info@boatshow.com.br
Anuncie | Assine | Comunique um erro
webtask criação e desenvolvimento de sites